quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A BOSSA NOVA E EU..
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Quando a Bossa Nova nasceu eu estava mais ou menos com dois anos de idade. Desde minha mais tenra idade palavras como: O fino da Bossa, Elis Regina, Tamba Trio, mar, violão e tardinha, dentre outras, habitam minhas lembranças. Cada vez que eu passava pela sala a tv preto-e-branco emitia sons e imagens que fariam parte da minha vida musical anos depois. Aí veio a Jovem Guarda, dispensável comentar...
Anos depois, em meio a loucura dos anos 70, foi que a Bossa Nova chamou realmente a minha atenção . Numa manhã de férias de verão, num rádio à válvula, escutei um violão cristalino e uma voz quase sussurrada cantando: “Baiana que entra no samba não fica parada...” Eu não sabia quem cantava, mas toda a vez que tocava essa música, alguma coisa ia acumulando no meu sangue, no meu coração e na minha sensibilidade. Muito tempo depois fiquei sabendo que era João Gilberto e que morava nos Estados Unidos. Pouco tempo depois a rádio fechou. Como é típico dos adolescentes, eu pulava de estilo em estilo musical procurando “sei lá o que, não sei onde”. Nesta época também, o violão já estava em minha vida com músicas do Tim Maia e outros. Por volta de mil novecentos e setenta e oito deu-se o Big Bang. Numa roda de violão pedi uma Bossa Nova, o silêncio foi total, pares de olhos me viram como um alienígena, a música não saiu. Numa outra ocasião, alguém tocou Lígia em minha homenagem, daí em diante a cada novo encontro alguém vinha com uma música “nova”, para nós, é claro. Os próximos meses foram de busca desesperada por discos antigos para descobrir o que havia acontecido no nascimento da Bossa Nova. Quando conhecemos músicos profissionais, algum tempo depois, nos churrascos de final de semana e encontros esporádicos, eu assistia muitas vezes Luisinho Santos, Edu Natureza e outros. Os mistérios foram sendo desvendados e o dia precisava de mais horas para suportar nossos acordes dissonantes. Meus amigos superaram essa fase, eu não consegui me curar de maravilhoso vírus. Daí em diante era canja em bares, principalmente no bar Fascinação, Blue Eyes, Bar Um ou Arcabuz, neste, com a benevolência do Cigano, e eu sempre tocando Bossa Nova. Muitos me diziam: “ Legal, as músicas que tu tocas não dá mais no rádio”, era o meu diferencial. Depois, por motivos profissionais afastei-me um pouco dos bares noturnos. Fui convidado, então, para fazer um show semanal no restaurante Langur, no Bom Fim. O vírus voltou. Passei a tocar todas nas quintas-feiras no Fascinação nos intervalos de Clayton Franco. Na temporada de praia, meus cunhados e eu tocávamos quase cinco horas seguidas praticamente sem intervalos, claro que a Bossa estava presente mas de forma tímida em virtude do gosto da platéia, era o auge do pagode, Só para Contraiar, Raça Negra e outros. Só de pensar tenho arrepios. Tudo isso foi intercalado com leituras e pesquisa sobre as músicas e a história da Bossa Nova. Eu casei, a família cresceu e o rancho semanal passou a dar o tom na minha vida. O violão e a Bossa Nova , as palinhas nos bares e os encontros com novos amigos continuaram mas sem muito compromisso. Uma coisa me incomodava. Com apartamento pequeno, não conseguia convidar, de uma só vez, todos os amigos que apreciavam minha música. Um dia alguém falou: “Volta a tocar em bar, aí poderá reuni-los”.
Dez anos depois uma chance no Café Concerto da Casa de Cultura Mário Quintana. Com a vida mais tranqüila, por ter um emprego fixo, pude retornar para a paixão da minha vida, a Bossa Nova. Hoje toco às sextas-feiras no Cave Café, na Av. Ipiranga 3439.